28/12/2025
‼️ DESABAFO ‼️
No início deste mês, um cliente sentou na minha frente e desabafou: disse que não está conseguindo pagar as contas básicas com o valor da aposentadoria por invalidez que recebe. Perguntou, com esperança, se eu poderia fazer algo para aumentar esse valor.
E o que mais doeu foi isso: Eu não pude. Não posso.
Não por falta de vontade. Não por falta de luta. Mas porque, no dia 18 desse mês tivemos o julgamento do tema 1.300, e com ele o aval final para que o INSS pague menos justamente para quem não pode mais trabalhar. Mesmo quando a pessoa contribuiu por anos. Mesmo quando seu salário era alto. Mesmo quando a incapacidade hoje é definitiva.
Foi exatamente isso que o STF confirmou.
A verdade é que quando falta dinheiro no caixa da Previdência, essa conta nunca vai sobrar para quem pode. Vai sobrar para quem já perdeu a saúde, o trabalho e a dignidade mínima de viver com tranquilidade.
Como advogada, viver isso na prática é devastador. Porque não é teoria, não é apenas um debate jurídico. É alguém dizendo que não consegue pagar aluguel, remédio, luz, comida, e ter que ouvir de mim… ao invés de uma palavra de esperança, ouvir que dessa vez, não há caminho.
Previdência não é favor. É proteção (ou deveria ser).
E quando o sistema falha com quem mais precisa, a injustiça deixa de ser abstrata. Ela tem nome, rosto e endereço.
O Supremo decidiu. A decisão será cumprida.
Mas eu sigo aqui, mesmo cansada, mesmo indignada, defendendo quem o sistema insiste em deixar para trás.