12/01/2026
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Enquanto o governo Lula amplia o monitoramento sobre a vida financeira do cidadão comum, passando a vigiar transferências via PIX, pagamentos por aproximação e movimentações bancárias de milhões de brasileiros, o próprio Estado caminha na direção oposta quando o assunto é o uso do dinheiro público.
De um lado, o trabalhador, o pequeno comerciante e o autônomo passam a ter cada centavo rastreado pela Receita Federal, sob o argumento de combater irregularidades. Do outro, o governo federal reforça o uso de sigilos e restrições de acesso para limitar informações sobre gastos, contratos e decisões internas da máquina pública, um movimento que vai na contramão da transparência que deveria ser regra.
A contradição é evidente: o governo quer transparência total da sua conta bancária, mas oferece opacidade quando se trata da própria. O cidadão é tratado como suspeito automático; o Estado, como uma caixa-preta intocável.
Esse modelo cria um desequilíbrio perigoso. Em vez de um governo fiscalizado por uma sociedade livre, o que se desenha é uma sociedade cada vez mais fiscalizada por um governo que se protege atrás de carimbos de sigilo. O recado é claro: você deve explicar tudo o que faz com seu dinheiro, mas não pode saber com a mesma clareza como o poder público gasta o seu.
Ao ampliar o controle sobre a vida financeira dos brasileiros e, ao mesmo tempo, restringir o acesso a informações públicas, o governo Lula inverte a lógica democrática. Transparência deixa de ser uma obrigação do Estado e passa a ser uma exigência apenas do cidadão. Isso não fortalece o combate à corrupção, fortalece o poder de quem governa sem ser observado.
No fim, o que está em jogo não é apenas fiscalização ou impostos. É quem vigia quem em uma democracia. E, sob Lula, cada vez mais parece que só o povo está sendo observado.