08/06/2020
No dia 09/02, depois de muito pesquisar e ponderar, Carola começou a utilizar o óleo de cannabis. Iniciei esse novo tratamento com muita esperança, não esperando um milagre, mas melhora na qualidade de vida. Achei que fosse demorar a perceber os efeitos, mas em uma semana comecei a notar visíveis melhoras.
O brilho no olhar voltou, a interação, a fala, a motricidade...
Pudemos, então, começar a reduzir a medicação que estava mantendo-a sedada para evitar que se machucasse.
Nada poderia ter me feito mais feliz!
Ver minha filha acordar feliz, voltar a comer com suas mãos, a caminhar, a falar de forma inteligível...
Iniciamos o tratamento com óleo artesanal, com acompanhamento do médico e de uma mãe que utiliza há anos no filho. Cada pequena mudança foi anotada e festejada...
Mas o óleo acabou, e Carola passou dez dias sem as "gotinhas mágicas", como passamos a chamá-lo. Nesse período, utilizei o de resgate, a fim de não deixá-la sem o tratamento. Mas comecei a perceber mudanças em seu comportamento.
Não dei muita importância, tendo em vista já estar acostumada com as oscilações de comportamento dela.
Quando recebi o novo óleo, retomei o tratamento no dia 26/03.
Fui orientada a recomeçar com doses baixas pq era um óleo com teor mais elevado de thc, e que poderia provocar interação medicamentosa. E assim fizemos!
Tenho por hábito seguir à risca as prescrições.
Mas não funcionou! Infelizmente!
Fiz tudo que me foi orientado: reduzi, à princípio, a melatonina; após, reduzi o neuleptil; aumentei o óleo...mas nada funcionou!
Passei uma semana acordada, com ela iniciando um surto psicótico, fazendo contenção mecânica prá que não se ferisse, cuidando dia e noite.
E aí voltei para as medicações alopáticas, com dosagens elevadas para controlar a crise.
Aconteceu com a Carola. Não quer dizer que vá acontecer com todos que fazem uso do óleo. Volto a dizer, cada autista é único em suas particularidades. Sou especialista no autismo da minha filha e de mais ninguém.
Não desisti desse tratamento. Vi o quanto ele pode ser benéfico. Vi os ganhos que minha filha teve. E, importante, NÃO PERDEU, mesmo tendo surtado e alucinado. Foi o primeiro tratamento, em 27 anos, em que não observei perdas após passado o surto.
Estamos procurando, estudando, pesquisando...quero aprender mais pra voltar com mais segurança.