07/01/2026
Educar crianças e adolescentes para as relações interpessoais é afirmar que nós, seres humanos, temos a nossa força e realização nas relações de afeto que construímos. Nós existimos a partir da formação de uma identidade única que é confirmada diante da família, dos colegas, dos professores e demais ambientes que frequentamos.
A convivência traz as suas dificuldades, pois existem limites a serem respeitados, o que fundamenta a existência de normas morais, éticas, religiosas e jurídicas. As normas de convivência são, portanto, fruto da evolução civilizatória, em que se compreende a impossibilidade de existir cooperação entre os seres humanos em um “mundo sem regras”. Também é preciso considerar que, há muito, a humanidade já compreendeu que a “lei do mais forte” é nociva para o convívio de longo prazo, tendo os sistemas jurídicos evoluído para outras formas de organização social.
No entanto, diante de tantos acontecimentos que povoam o noticiário local, nacional e internacional é preciso considerar que alguns princípios civilizatórios têm sido deixados de lado, em nome da suposta lei do mais forte. Isso se percebe nos eventos de violência que permeiam as relações humanas e o desafio dos educadores cresce à medida em que parece não haver consequências para quem abusa da sua força.
Os fenômenos que precisam ser trabalhados, tanto pelas escolas, como pelas famílias, passam pela intervenção nas relações de poder. Comportamentos como bullying, ciberbullying, racismo, misoginia e tantos outros atos que prejudicam a boa convivência, em última medida, são o uso da força por aquele que supõe estar em alguma vantagem e que não sofrerá as consequências dos seus atos. Se os adultos afirmam essa prática, será mais difícil educar para a cooperação.
A lei do mais forte, embora pareça ser sinônimo de sucesso momentâneo, tem efeitos preocupantes para o presente e para o futuro, em um ambiente de convivência coletiva. É tarefa dos adultos promover a reflexão sobre o crescimento dos casos em que essa forma de resolução de problemas tem sido aplicada e buscar alternativas concretas, especialmente por meio do exemplo. Aliás, o exemplo ensina mais que qualquer discurso.