19/08/2026
A perícia não avalia apenas laudos e exames. Ela observa comportamento, movimentos, postura e respostas do segurado desde o primeiro contato.
E é aí que surgem as chamadas “pegadinhas”, situações aparentemente simples, mas que podem influenciar diretamente o resultado.
Entre as mais comuns estão a conversa informal antes da avaliação, quando o perito pergunta sobre atividades do dia a dia como dirigir, cozinhar ou sair sozinho.
Respostas sem contextualizar dor, limitação ou esforço podem ser interpretadas como plena capacidade funcional.
Há também perguntas genéricas sobre rotina, que não analisam a doença em si, mas a resistência física.
Outro erro frequente é minimizar sintomas, dizendo que “é só uma dor” ou que “tem dias bons”, o que costuma pesar contra o segurado.
Te**es rápidos e superficiais também são usados, como levantar da cadeira, apertar a mão ou mover o pescoço por poucos segundos, mesmo que isso não represente uma jornada real de trabalho.
Uma pegadinha clássica é quando o perito deixa a caneta cair no chão para observar se a pessoa se abaixa, como se movimenta e com que esforço.
O mesmo ocorre com o banquinho baixo no meio da sala, colocado para avaliar postura, equilíbrio e dor ao sentar e levantar.
E a mais perigosa de todas: a porta da sala deixada aberta.
Muitas vezes o perito observa como o segurado entra, caminha e se posiciona antes mesmo da perícia começar.
Perícia médica não é conversa informal nem teste de boa vontade. É um procedimento técnico que pode definir um direito fundamental.
Pessoa informada não é enganada.