08/09/2026
Em muitos relacionamentos, a mulher é estimulada a abrir mão da própria vida profissional em nome da família.
Primeiro vem a gestação. Depois, os filhos. E, pouco a pouco, pode surgir a ideia de que é mais “lógico” ela ficar em casa, enquanto o homem mantém sua carreira.
A justificativa muitas vezes parece razoável: se o salário dela praticamente será consumido pelo custo de uma babá ou de alguém para cuidar da criança, por que não ficar em casa?
O problema é que essa conta considera apenas o presente. Não considera o impacto que anos afastada do mercado de trabalho podem ter na autonomia, na independência financeira, nas oportunidades profissionais e, principalmente, na identidade daquela mulher.
É possível ser uma mãe presente e, ao mesmo tempo, ter ambições, projetos, realizações e uma carreira. Uma coisa não precisa anular a outra.
Porque quando uma mulher se afasta completamente do trabalho, ela não está apenas deixando de receber um salário. Muitas vezes, está abrindo mão de um espaço onde construiu reconhecimento, relações, autonomia e uma parte importante de quem ela é.
E existe algo ainda mais profundo: depois de anos colocando a família em primeiro lugar, pode ser difícil voltar a se reconhecer fora dos papéis de esposa e mãe.
Por isso, manter a própria vida profissional também pode ser uma forma de preservar a própria identidade.
A maternidade transforma a mulher, mas não deve representar tudo o que ela é.
Conta pra mim se você já precisou se desfazer de algum plano para ter que dar conta de uma imposição velada de cuidar da família.
Corte do Talkshow Tem Caminho
Com Melissa Jannuzzi