06/06/2026
Há processos que marcam nossa trajetória profissional. Este é um deles.
Em 2016, o Sr. Nelson me procurou por intermédio da minha tia Vânia (também advogada) porque estava sendo processado pelo INSS. A autarquia alegava que ele deveria devolver valores recebidos a título de benefício assistencial (LOAS).
Na defesa, além de demonstrarmos que ele não tinha qualquer valor a devolver, apresentamos um pedido contraposto para reconhecimento do seu direito à aposentadoria por idade híbrida.
Lembro até hoje da audiência.
Durante o depoimento, o juiz fez perguntas sobre o trabalho rural exercido pelo segurado. E, com toda a simplicidade que lhe era característica, ele respondeu de forma espontânea, contando sobre sua vida, sua rotina e os locais que conhecia desde sempre. Em determinado momento, demonstrou até certa indignação ao perceber que o magistrado não conhecia Morungaba, nem referências tão familiares para ele, como o sítio do Cláudio Rossi e da Cecília.
Era impossível não perceber a honestidade daquele relato.
Não havia discurso ensaiado. Havia uma vida inteira de trabalho sendo contada por quem a viveu.
Hoje, quase 10 anos depois do início da ação, recebi a notícia que tanto aguardávamos: o processo foi encerrado.
O pedido do INSS foi julgado improcedente. O Sr. Nelson não tem absolutamente nada a devolver. E mais do que isso: o INSS foi condenado a conceder sua aposentadoria e pagar os valores que lhe eram devidos ao longo de todos esses anos.
Como advogada previdenciarista, momentos como esse me lembram por que escolhi essa profissão.Como morungabense, a satisfação é ainda maior.
Porque, no final das contas, não se trata apenas de um processo. Trata-se de fazer justiça à história de vida de alguém.