28/04/2021
1999. Fim da tarde. Eu querendo ver Chaves, minha irmã querendo ver Malhação. Dois programas, mesmo horário, uma TV. Resumo da ópera: o pau quebrando! TODO SANTO DIA!
Mamãe, com um espírito jurídico aflorado, decide: "Chega! Vou vender a TV e vocês dividem o dinheiro! Satisfeitas?"
Claro que não! O dinheiro não seria suficiente para comprar uma TV nova. E tenho quase certeza que não daria para sintonizar o SBT numa nota de 50 reais. A gente queria assistir TV, e nem TV sobrou. A briga se encerra (por um momento), mas o problema não se resolve.
Grande parte do que é levado para ser resolvido em um processo judicial termina assim! O juiz decide, sem levar em conta o que as partes realmente precisam, e o processo acaba. Só o processo, porque o problema permanece.
Resolver as coisas de forma consensual, encontrando um meio termo que atenda todos os envolvidos, é a melhor maneira de garantir que as pessoas f**arão satisfeitas com a solução que foi adotada.
Voltemos para a TV. Mamãe, agora tomada por um espírito pacif**ador, propõe: "Você assiste Chaves de segunda, quarta e sexta. Você assiste Malhação de terça e quinta. Na semana que vem, vocês invertem os dias. O que acham?"
A melhor solução possível, considerando os recursos disponíveis. Cenário previsível e garantia do direito de cada uma.
Entrar em acordo para resolver um problema é o melhor jeito de conseguir o que você realmente precisa, dentro das possibilidades do que pode ser feito.
No cenário jurídico, quando as pessoas resolvem um problema de forma consensual, a coisa f**a melhor ainda! Se não houver impedimentos previstos em lei, dá para fazer tudo diretamente no cartório! Nem de juiz precisa! Mais rápido, mais barato, e concretizando a solução que vocês entenderem ser a melhor.
Você ainda resolve as coisas vendendo a TV?
(Nenhuma criança, mãe ou televisão foi ferida durante a construção dessa narrativa).