25/09/2026
Motor do mercado de trabalho e porta de entrada para o primeiro emprego de milhares de brasileiros, o setor do comércio surpreendeu negativamente: o saldo de contratações entrou no vermelho, puxado especialmente pelo varejo. Pela primeira vez desde 2021, quando começou a nova metodologia do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), o setor mais demitiu do que admitiu trabalhadores com carteira assinada entre janeiro e julho deste ano.
A reversão é resultado de um conjunto de fatores que tem afetado as vendas. Além dos juros altos e da inadimplência, a onda de Recuperações Judiciais que assola as empresas do setor e as mudanças estruturais de consumo devido ao avanço das vendas online tiveram reflexo no número de empregos.
Entre contratações e demissões, o saldo do comércio ficou negativo em 7,8 mil postos de trabalho de janeiro a julho deste ano. O resultado contrasta com o desempenho alcançado no mesmo período de anos anteriores. De janeiro a julho de 2025, por exemplo, as contratações no comércio superavam as demissões em 125,8 mil vagas.
Neste ano, no entanto, o cenário virou. Foram destruídas, comparativamente ao mesmo período do ano passado, 133,8 mil vagas, aponta um estudo feito pela economista e pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), Janaína Feijó. Para chegar a esses resultados, ela usou microdados do Caged do Ministério do Trabalho.
Desde meados do ano passado, o mercado formal de trabalho vinha perdendo fôlego. A desaceleração ficou mais nítida neste ano, atingindo todos os segmentos. Entre janeiro e julho, o saldo geral do mercado de trabalho ficou positivo com 972,2 mil vagas formais, mas com recuo de 29% ante os mesmos meses de 2025. Na agropecuária, o saldo foi de 51,4 mil vagas, com queda de 51% na comparação anual; na indústria foram 154 mil postos e recuo de 40% e, nos serviços, saldo de 591,5 mil e retração de 15%.
Só a construção civil ampliou o saldo de vagas entre janeiro e julho deste ano ante 2025 e, mesmo assim, a alta foi pequena. O saldo foi de 180,4 mil postos teve expansão de 2%.
🔗 Fonte da Notícia: Estadão.