20/02/2020
GLEBA PALHANO É MAIS
ANTIGA QUE LONDRINA
A propriedade de Mábio Palhano começava num marco fincado no distrito do Espírito Santo e se estendia até a margem direita do ribeirão Cambezinho
Em 1927 a Gleba Palhano já existia. Era nela que f**ava a Fazenda Esperança, de propriedade dos irmãos Palhano. A Companhia de Terras Norte do Paraná, empresa de capital inglês, chegaria oficialmente para fundar Londrina somente em agosto de 1929. De fato, desde 1919, os irmãos Palhano, uma família de agrimensores e desbravadores, já andavam pelo Norte do Paraná medindo e regularizando a posse das terras devolutas do Estado, desenhando mapas, abrindo os caminhos que seriam trilhados pelos futuros pioneiros.
Passados 85 anos, a Gleba Palhano consolida-se como a região mais dinâmica da Londrina do século 21, acolhendo moradores das classes A e B. Lugar charmoso, a Gleba Palhano possui vias de acesso pelas avenidas Higienópolis, Madre Leônia e Ayrton Senna. Conta ainda com o Lago Igapó como “quintal” e uma vista privilegiada da cidade. Com o maior crescimento imobiliário dos últimos anos, ela abriga empreendimentos comerciais de alto padrão.
Comissário Mábio
Mábio Gonçalves Palhano era um desses homens raros, que parece ter uma energia sem fim, para andar pela mata, correr riscos de vida, abrir cidades e levar o desenvolvimento. Tinha uma característica curiosa.
Em 1906, diante dos conflitos entre posseiros, o governo do Estado decidiu iniciar a demarcação das terras do Norte do Paraná. Em 7 de janeiro de 1919, o Estado contrata Mábio Palhano como engenheiro comissário responsável pela demarcação das terras que incluíam, entre outras, as regiões de Jacarezinho e São Jerônimo, passando pelo Rio Tibagi, até as margens do Rio Pirapó. O comissário Mábio e seus irmãos se instalaram na ex-colônia militar de Jataí e dali partiam em caravanas para os seus trabalhos sertão adentro.
Mábio era o mais velho dos irmãos Edson, Joaquim, Hebert (ou Heber) e Kepler. Mábio nasceu em São Luís do Maranhão em 21 de novembro de 1894. Após a morte de seu pai, a família mudou-se para Niterói. Mábio muito cedo virou o homem da casa. Anos mais tarde, se casaria com Dalvina Ribas Pimpão Palhano, prima do interventor Manoel Ribas e sobrinha do delegado e prefeito de Londrina Aquiles Pimpão. O casal teria um filho, o médico Dálbio Palhano.
Trabalhando como agrimensor, Mábio vivia sem luxo nenhum, mas, quando ia a Curitiba ou São Paulo, transformava-se. Vestia-se elegantemente, acendia seu charuto e frequentava os melhores restaurantes, teatros e cinemas com a família. Na época, Mábio já tinha feito fortuna e possuía fazendas em Londrina e Sertanópolis.
Segundo recordou sua filha adotiva Florinda, uma das coisas que Mábio Palhano adorava fazer era contemplar Londrina do alto do espigão onde hoje está a Avenida Madre Leônia Milito. Mábio Palhano faleceu em 1982.
EXTENSÃO
No início, a Gleba Palhano tinha ao todo 750 alqueires de propriedade exclusiva de Mábio Palhano. Ela começava num marco fincado no distrito do Espírito Santo e abrangia as regiões do Catuaí Shopping, do campus da Universidade Estadual de Londrina, indo até o Lago Igapó ou, mais precisamente, até a margem direita do Ribeirão Cambezinho. Com a requisição de terras devolutas ao governo do Estado do Paraná, os irmãos Edson e Joaquim Palhano ainda somariam mais 400 alqueires àquela grande gleba que teria ao todo 1.150 alqueires. Uma das curiosidades do local é que Mábio Palhano cedeu parte de suas terras e mananciais para que a prefeitura implantasse o sistema de captação de água de Londrina.
Legenda da foto: Mábio, retratado em 1º de janeiro de 1927 na mata onde hoje f**a a Gleba Palhano, dedicava a foto ao lado para sua esposa