08/03/2018
Dentro de uma sociedade patriarcal, a reprodução do machismo é algo inerente as pessoas e instituições, isso não significa, contudo, que não possa ser refletida, problematizada e combatida. O Poder Judiciário brasileiro há muito mostrou de que lado está, e, não é o lado de nós, mulheres. Muito pelo contrário, assume um papel que legitima o machismo, culpabiliza a vítima e relativiza a violência. Temos ganhos, mas são pontuais.
Somos poucas que ocupam os assentos dos Tribunais Superiores, somos muitas as que procuram o acesso à justiça quando nos vemos desesperadas. A violência contra mulher, o assédio sexual no trabalho, o litígio de uma guarda compartilhada, o feminicidio. Quando recorremos ao Judiciário não é porque temos grandes expectativas de serem resolvidos nossos problemas, é apenas mais uma forma vislumbrada de tentar cessar uma situação desgastante. E, infelizmente, muitas vezes nos deparamos em situações que corroboram com o desgaste, " por que não separou dele?", " por que foi trabalhar com essa roupa?"; " por que não quer ficar com a guarda unilateral se a mãe tem mais jeito com a criança?"; " por que dizer que morreu em razão do gênero, por ser mulher, isso não existe!".
A Paraíba ocupa o ranking nacional de um dos estados mais violentos contra as mulheres. O crime de feminicidio não é aplicado nos casos concretos. O assédio sexual no trabalho é relativizado. Nós, feministas advogadas, tomamos um lado, muito antes da profissão, um lado que luta cotidianamente contra todas as formas de opressão às mulheres. Estaremos no front, nas ruas, nas audiências, nas reuniões auto organizadas, na formulação de políticas públicas, na resistência.
08 de março é dia de luta, desde o seu início. E, o empoderamento das mulheres só faz sentido se for coletivo, interligado com a luta de classes, de raça, etnia e contra a LBGTfobia. Sigamos juntas, no 8M, nos outros 364 dias do ano, por todos os anos, até que todas sejamos livres.