20/04/2026
Na rotina da advocacia, existem diferentes formas de atuação.
Há o trabalho consultivo e de assessoramento, quando o advogado atua de forma preventiva, ajudando a organizar decisões e evitar conflitos.
E há também o contencioso, quando o trabalho é representar o cliente perante o Judiciário.
Dentro desse caminho, uma das etapas mais marcantes do processo é a audiência. No exercício da advocacia, a sala de audiência sempre me provoca um sentimento diferente.
Ali, o processo deixa de ser apenas papel, argumentos ou artigos de lei.
Ali existem pessoas. Histórias que carregam expectativas, frustrações, conflitos e verdades que, muitas vezes, não cabem completamente nas páginas de uma defesa.
É o momento em que o processo ganha voz.
Quando testemunhas contam o que viram. Quando as partes narram o que viveram.
Quando, por alguns instantes, o Direito se aproxima da vida real. É olhar nos olhos de quem fala, da escuta atenta, de revelar sentimentos e de perceber o silêncio entre uma frase e outra.
Entender que, por trás de cada processo, existe sempre uma história humana sendo julgada.
Talvez seja por isso que a audiência seja uma das etapas mais marcantes da advocacia.
Porque, no fim, o Direito trata de normas —
mas a Justiça trata de pessoas.
Como bem lembra Piero Calamandrei:
“Justiça não quer dizer insensibilidade, que o juiz, para ser justo, nem por isso deve ser impiedoso. Justiça quer dizer compreensão, mas o caminho mais direto para compreender os homens é aproximar-se deles com o sentimento”