08/09/2026
Ser advogada de mulheres nos anos 80 era, muitas vezes, lutar contra uma sociedade que ainda esperava que a mulher suportasse em silêncio.
Era receber uma mulher que chegava ao escritório sem saber se teria direito à própria casa, à guarda dos filhos, à sua parte no patrimônio ou, simplesmente, ao direito de recomeçar.
Era enfrentar o preconceito de uma profissão predominantemente masculina e, ao mesmo tempo, enfrentar o julgamento social que recaía sobre a mulher divorciada.
Mas os anos 80 também foram anos de conquistas históricas.
O divórcio já havia sido reconhecido no Brasil em 1977. Em 1985, surgiram as primeiras Delegacias de Defesa da Mulher, criando um espaço institucional específico para atender mulheres vítimas de violência. E, em 1988, a Constituição Federal consolidou um marco fundamental: homens e mulheres passaram a ser expressamente reconhecidos como iguais em direitos e obrigações.
Para uma advogada que defendia mulheres, cada processo não era apenas um processo.
Era uma mulher tentando recuperar sua autonomia.
Era uma mãe lutando pelos filhos.
Era uma esposa dizendo que não queria mais viver naquela relação.
Era uma mulher descobrindo que seu patrimônio, sua liberdade e sua própria história também importavam.
Talvez por isso, olhar para aquela época seja lembrar que muitos dos direitos que hoje parecem naturais foram construídos por mulheres que tiveram coragem de questionar, ocupar espaços e abrir caminhos.
Ser advogada de mulheres nos anos 80 era exercer o Direito ,mas também era participar de uma transformação social.
E talvez a maior conquista tenha sido esta:
ensinar uma geração de mulheres que pedir o divórcio não era fracassar. Era, muitas vezes, escolher a própria vida. ❤️⚖️