01/05/2026
Após três anos de trabalho, inicia-se a preparação para o Tribunal do Júri e, enfim, a tão aguardada ida ao plenário. Como costumo dizer em palestras, a advocacia se assemelha muito à agricultura: é preciso plantar, esperar, regar, suportar a estiagem e apurar custos e resultados ao longo do tempo — exigindo controle, responsabilidade e gestão eficiente para honrar os compromissos com cada cliente, já que muitos processos se arrastam por anos.
Para se ter uma ideia, temos hoje no escritório um processo em trâmite no primeiro grau desde 2016, ainda aguardando o término da instrução. Não é exceção: é a realidade de quem advoga com seriedade. Frequentemente nos deparamos com causas em que os honorários foram pagos há muito tempo, já consumidos, e que, ao longo da caminhada, acabam gerando prejuízo financeiro algo que faz parte da profissão e que precisa ser absorvido com maturidade.
É justamente nesse ponto que se prova o caráter do advogado: manter a credibilidade através de uma prestação de serviços consistente, do início ao fim, mesmo quando o tempo desgasta, mesmo quando o resultado financeiro daquele caso específico ficou para trás. E, paralelamente, garantir a entrada contínua de novos clientes para sustentar o escritório de forma ética, equilibrada e comprometida, sem que a pressão econômica do dia a dia jamais comprometa a qualidade da defesa de quem confiou em nós há três, cinco ou dez anos atrás.