01/04/2025
• Uma onda de indignação tomou conta da diáspora italiana ao redor do mundo após o anúncio do Decreto-Lei Tajani, que propõe mudanças significativas no reconhecimento da cidadania italiana por descendência. A medida, considerada por muitos como um ataque ao princípio do ius sanguinis, gerou uma mobilização virtual que já acumula milhares de assinaturas em uma petição online.
O abaixo-assinado, que ultrapassou 60 mil adesões e está próximo de atingir a meta de 75 mil, é direcionado ao governo italiano, ao Ministério das Relações Exteriores e ao partido Fratelli d’Italia. Os signatários argumentam que o decreto desconsidera o papel histórico da diáspora italiana, restringe o direito à cidadania por sangue e enfraquece os descendentes como embaixadores culturais no exterior.
A proposta, apresentada pelo vice premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, limita a transmissão da cidadania italiana apenas a quem tem pai ou avô nascido na Itália, excluindo gerações mais distantes. Para os ítalo descendentes, essa mudança representa uma traição à história da emigração italiana, que ao longo de mais de um século construiu uma rede global de laços culturais e familiares.
No Brasil, onde a comunidade ítalo descendente é expressiva, o decreto foi amplamente repudiado. Fabio Porta, deputado do Parlamento italiano eleito pela América do Sul, criticou a abordagem emergencial e precipitada da medida, defendendo uma análise mais aprofundada e diligente.
Além de exigir a revogação imediata do decreto, o movimento pede o reconhecimento das comunidades no exterior como parte integrante da nação italiana e melhorias nos serviços consulares, especialmente na agilidade dos processos de cidadania.
A mobilização, que segue ganhando força, destaca a importância dos descendentes na preservação e promoção da cultura italiana, reafirmando seu papel no prestígio internacional do país.
O projeto de lei já está em tramitação no Senado da República Italiana.