28/01/2026
“A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa
palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca,
ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade
inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.
Nas primeiras épocas históricas, verificamos, quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade
em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios,cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos, mestres, companheiros, servos; e, em
cada uma destas classes, gradações especiais.
A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos
de classe. Não fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta às
que existiram no passado. Cada etapa da evolução percorrida, pela burguesia era acompanhada de um progresso político correspondente. Classe oprimida pelo despotismo feudal, associação armada administrando-se a si
própria na comuna; aqui, república urbana independente, ali, terceiro estado, tributário da monarquia;
depois, durante o período manufatureiro, contrapeso da nobreza na monarquia feudal ou absoluta, pedra
angular das grandes monarquias, a burguesia, desde o estabelecimento da grande indústria e do mercado
mundial, conquistou, finalmente, a soberania política exclusiva no Estado representativo moderno. O
governo moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa.
A burguesia desempenhou na História um papel eminentemente revolucionário.”