31/05/2019
FOMENTO FINANCEIRO À AGRICULTURA
E SOLIDARIEDADE DOS BANCOS E FINANCEIRAS.
Por Roberto Melo Martins, advogado
Há mais de quinhentos anos já se sabia que a riqueza maior para garantir a vida econômica de nossa terra amada Brasil - desde os remotos tempos de Cabral - e ainda nos tempos de agora, vem da terra. Se realizam através dela. Seja através das históricas explorações do ouro, diamante, esmeraldas e outras tantas joias que eram enviadas para a Corte Portuguesa, seja ainda nos dias de hoje em decorrência de seu fortíssimo e judiado “AGRONEGÓCIO”. É assim que se fala nos dias de hoje. Pois bem, de igual modo – como em priscas eras – o homem que labuta na terra e que se atreve a se tornar agricultor, familiar, de pequeno e ou grande porte, tem, em sua maioria, a companhia indispensável dos financiadores. São bancos, financeiras, agentes públicos e até mesmo agiotas, enfim, todos visando um só resultado: O LUCRO. Mas não é sobre isto que falo. Falo de uma palavrinha que há muito tempo anda esquecida e sequer consta expressamente dos contratos agrários, nem mesmo como conceito. “FOMENTO”. Esta palavra, na prática, não é apenas uma palavra forte, que tem em seu prefixo, ironicamente postadas, as letras “F. O. M. E”. Segundo o Dicionário AURÉLIO”, 3ª Edição, p. 257, “FOMENTO. 1. Ato ou efeito de fomentar. 2. ... 3.Lenitivo, refrigério. 4. Estímulo”. Ou ainda “impulso, auxílio”. O termo também é empregado com o sentido de alívio, bálsamo, aquilo que acalma. Traduzindo para o português real e vigorante nos dias de hoje, trata-se de bancos, financeiras ou similares que se arvoram de fomentadores da agricultura, emprestando dinheiro e financiando atividades ligados ao agronegócio, e, mesmo que assim não queiram ser entendidos, são bancos de fomento, SIM, travestidos de financeiras, etc. Ora, à luz do direito, a bem da verdade, esta palavrinha ou conceito não está sendo utilizada em defesa das atividades do agronegócio, transparecendo uma omissão inexplicável, levando-se em conta de que as financeiras e bancos que financiam a agricultura, a bem de outra verdade, agem sem dó nem piedade como exploradores, dilapidando o patrimônio dos agricultores hipossuficientes, tímidos, sem intelecto a altura de seus exploradores, ou sem assistência para gestão de seu empreendimento rural, ou mesmo apenas humildes...sem saber como fazer A exploração tem sido sem dó, nem piedade. Os bancos fingem que não sabem o que vem a ser isto. Os agricultores por seu turno, coagidos, sempre, se esquecem dela e padecem do escravagismo a que se submetem – e perdem suas terras – e continuam e continuam na viciada roda dos financiamentos malditos, que sequer tomam conhecimento da função social do contrato e ou da importantíssima função social das terras agricultáveis. São inúmeros os processos judiciais onde os agricultores, principalmente os pequenos e médios, conseguem trabalhar uma lavoura, preparando a terra e plantando, mas, também sofrendo uma ação judicial porque teve perda de parte da lavoura e ou não foi orientado profissionalmente pelo próprio emprestador ou fomentador do dinheiro. O banco não quer saber... só quer receber o resultado do dinheiro emprestado e ninguém fala de que ao FOMENTAR deveria ser solidário financeiro com aquele agricultor que não conseguiu colher o previsto e se encontra em dificuldades financeiras para quitar a dívida. E aí, reiniciam-se os refinanciamentos negociados sabe-se lá como... ... pois é!