26/05/2025
Era 2017. Um caso de improbidade administrativa chegou até mim mais um, entre tantos. Mas algo naquela acusação me incomodava.
Ao invés de provas, havia recortes. Ao invés de dolo, interpretações.
E no centro daquilo tudo, um servidor que dedicou décadas ao serviço público. Um pai de família. Um homem que, de uma hora para outra, virou manchete não por condenação, mas por denúncia.
Foi ali que compreendi, com a gravidade que o tempo ensina, como uma acusação ainda que frágil pode destruir uma biografia inteira. Não só a do acusado, mas de quem vive ao lado: mães, filhos, companheiros.
Tenho profundo respeito pelo papel do Ministério Público. Mas também sei, por experiência, que algumas de suas odisseias acusatórias transformam o processo em um palco onde laudas substituem provas, e denúncias genéricas se tornam sentenças sociais antes mesmo da defesa ser ouvida.
O Direito Penal Econômico e a Improbidade Administrativa não são ap***s ramos do Direito. São arenas de confronto entre o rigor da lei e a fragilidade humana. E é nesse ponto de tensão que escolhi permanecer.
Depois de mais de 13 anos na advocacia criminal, hoje atuo na linha mais tênue do sistema: onde política, direito e reputação se entrelaçam.
Na assessoria parlamentar, na blindagem jurídica e no Tribunal de Ética da OAB/GO, sigo comprometida com algo simples, mas raro: a verdade jurídica e não a conveniência institucional.
É sobre memória, justiça e compromisso com a técnica.
Porque quando o processo vira manchete, alguém precisa estar ali com coragem, preparo e consciência do peso de cada palavra escrita em uma inicial e na defesa.