22/04/2021
A Teoria do Fato do Príncipe é um termo empregado para designar um ato do Poder Público. Preliminarmente incorporada ao direito administrativo, tal teoria também tem aplicabilidade no direito civil e direito trabalhista.
A nomenclatura “Fato do Príncipe” é uma referência à notável obra de Maquiavel, “O Príncipe”, escrita na Itália renascentista do século XIX, em que se aborda a presença de um Estado forte, sugerindo que as atitudes do governante nos seus domínios são legítimas para manter-se como autoridade.
Logo, essa teoria surgiu na medida em que tais atitudes do Poder Público – no caso, do “príncipe” – podem tornar um contrato já existente excessivamente oneroso a uma das partes, ou mesmo impossível de ser cumprido.
O fato do príncipe é uma ação necessariamente imprevista por natureza, formalmente regular, mas que afeta indiretamente o equilíbrio econômico de contratos celebrados entre Estado e particulares. Assim, pode-se dizer que se trata de uma intercorrência externa do contrato, porém, que dificulta ou impossibilita o seu cumprimento.
A título de exemplo, e para facilitar o entendimento, digamos que o Poder Público crie um novo tributo, deixando um contrato preexistente celebrado entre um particular e um município excessivamente oneroso ao primeiro. Esse fato do príncipe, portanto, abalou o equilíbrio econômico do contrato, que poderá sofrer uma revisão.
Por outro lado, existem situações em que o contrato se torna impossível de ser cumprido, como, por exemplo, no caso de uma empresa ser contratada pelo Estado para fornecimento de medicamento à rede pública de saúde e, posteriormente, a agência reguladora competente proibir esse medicamento em todo o território nacional. Logo, o cumprimento do contrato se tornou impossível como efeito indireto de ato emanado pelo Poder Público.
Nos casos hipotéticos aqui apresentados, o particular foi prejudicado, seja pela excessiva onerosidade, seja pela impossibilidade de cumprimento, e poderá buscar medidas legais e/ou contratuais para se resguardar ou se indenizar, quando possível.
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