09/01/2015
O Brasil possui umas das mais altas cargas tributárias do mundo e, em contrapartida, os contribuintes praticamente não vêem o retorno de todos os valores "cedidos" ao estado. Este é um fato que afeta vários setores de nossa economia, vários dos nossos segmentos de mercado, dentre eles o dos jogos eletrônicos. Hoje em dia, dentro da indústria de mídias e entretenimento, os jogos eletrônicos geram mais lucro que o cinema e a literatura, sendo um dos mercados mais rentáveis do mundo. O Brasil, apesar de sua absurda carga tributária, é o 3º país no mundo que mais movimenta o segmento dos jogos eletrônicos, estando atrás ap***s dos Estados Unidos e do Japão, fato que estimula certas produtoras de jogos como a Microsoft a instalarem fábricas e investirem na circulação de jogos pelo país, iniciativa que poderia expandir-se ainda mais, favorecendo e muito a economia brasileira caso não houvesse tanto desestímulo por parte do governo federal.
Em nosso país, esta carga tributária que já é altíssima em termos gerais, torna-se ainda pior quando falamos especificamente de jogos eletrônicos. Isto corre porque os produtos do gênero são classificados como "jogos de azar" para fins tributários, recebendo então a mesma tributação de jogos como o bingo, cartas, dados, caça-níqueis e roletas, sendo que, na opinião de vários tributaristas, a classificação correta seria a de "itens de informática". Por esta razão, os jogos, ao chegarem no Brasil, recebem acréscimos referentes a 20% de Imposto de Importação (II), 18% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), 40% de Imposto sobre Produtos Industrializados, 10% de P*S e COFINS e vários outros que, após a cobrança em cascata, totalizam um montante de 124% em carga de impostos, ou seja, um jogo que deveria custar R$ 100,00, depois de embutidos todos os tributos, custará R$ 224,00 ao consumidor final, sem contar com o lucro do comerciante.
Até o início da década de 1990, a indústria dos jogos eletrônicos era fraquíssima em nosso país, até que, em 30 de agosto de 1993, a empresa Nintendo Company Limited., lançou o console chamado Super Nintendo Entertainment System (também conhecido como o Super NES, SNES ou Super Nintendo), responsável pela consagração de jogos como Super Mario World, Donkey Kong, Mortal Kombat e Top Gear, além de ter aberto as portas do mercado nacional para outras empresas como Sega, Sony e Microsoft. O aparelho tornou-se um sucesso absoluto de vendas em pouquíssimo tempo, com mais de 50 milhões de unidades vendidas.
Hoje, por causa dos problemas fiscais com o Brasil, a Nintendo, empresa responsável pela popularização dos jogos eletrônicos em nosso território, anuncia oficialmente o encerramento de suas relações comerciais com o país. Esta é ap***s mais uma das consequências da má gestão de nosso país pois, com certeza não faltam verbas para o governo federal já que, conforme dito anteriormente, temos umas das maiores cargas tributárias do mundo, o problema encontra-se na péssima gestão de recursos.
Assim sendo, é com imenso pesar que todos os fãs brasileiros de jogos eletrônicos, grupo no qual me incluo, dão adeus a icônica Nintendo.
Dr. Carlos Rocha
Guerra e Rocha Advogados Associados
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