27/08/2026
Famílias chinesas com trusts offshore têm até 22 de outubro para regularizar passivos históricos. O que está em jogo, porém, não é só chinês.
Em 24 de julho de 2026, o Ministério das Finanças e a State Taxation Administration da China publicaram o Anúncio nº 21/2026, com regras próprias de imposto de renda para trusts offshore, acompanhado do Anúncio nº 15/2026, sobre administração e conformidade. A norma abriu uma janela de noventa dias para declaração e pagamento de passivos anteriores.
Menos de um mês depois, advogados e family offices já relatavam famílias revendo estruturas, avaliando a liquidação de trusts e, em alguns casos, considerando a venda de ativos para gerar liquidez. Segundo levantamento do Boston Consulting Group, o universo potencialmente afetado alcança cerca de US$ 1,2 trilhão em ativos offshore detidos por indivíduos de patrimônio ultra-elevado da China continental.
A notícia se refere à China. No entanto, o alerta é global.
E o ponto central não é a alíquota. É que uma estrutura juridicamente localizada fora do país não está, apenas por esse fato, fora do alcance da jurisdição fiscal de quem a instituiu ou dela se beneficia.
Com o Common Reporting Standard ampliado, o Crypto-Asset Reporting Framework e o uso crescente de análise de dados pelas administrações tributárias, o que está diminuindo não é a internacionalização do patrimônio. É a opacidade!
A experiência chinesa funciona como um teste de estresse em escala real. Quando uma das premissas sobre as quais a arquitetura patrimonial foi construída se altera, descobre-se se ela tinha fundamento próprio ou apenas dependia daquela premissa.
Daí uma pergunta que toda estrutura internacional deveria ser capaz de responder:
Se o benefício fiscal desaparecesse amanhã, ela ainda teria razão para existir?
Se a resposta for sim, há por trás dela uma lógica patrimonial, sucessória ou de governança capaz de sobreviver à mudança. Se for não, talvez o risco não esteja na próxima reforma tributária. Talvez já esteja na própria estrutura.
Leia a análise completa no artigo do meu blog - link na bio.