03/10/2026
Em 1989: a mulher que decidiu puxar a fila e denunciar o Assédio Sexual.
Patrícia Fonseca sofria investidas e abusos do próprio chefe. Os relatos apontam que ele chegou a agarrá-la à força. Com o apoio da família, inclusive do pai, que era advogado, ela fez o que quase ninguém fazia na época: registrou boletim de ocorrência.
O caso ganhou o país numa reportagem do Fantástico, com Glória Maria. Questionada sobre por que se expor, Patrícia respondeu: “Eu vim para puxar a fila, para que as outras mulheres comecem a fazer o mesmo”.
A coragem chama ainda mais atenção pelo contexto. A Constituição tinha acabado de ser promulgada e assédio sexual não era crime no Brasil. As investidas de chefes eram tratadas como “cantadas”, e quem denunciava costumava ser desacreditada, culpabilizada ou até demitida.
Por isso, o agressor não poderia ser punido por assédio sexual. O crime só entrou no Código Penal em 2001, com a Lei nº 10.224 (art. 216-A). Ainda assim, a denúncia de Patrícia deixou marcas:
✔️ Levou o debate sobre a falta de proteção legal às mulheres no trabalho para dentro das casas brasileiras.
✔️ Ajudou a questionar a omissão das empresas diante de chefes abusadores.
✔️ Mostrou que o abuso de poder hierárquico não é um problema pessoal da funcionária, mas uma violação da sua dignidade.
Hoje, a lei protege quem denuncia. Em grande parte, graças a quem falou primeiro.
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Reportagem - Fantástico Rede Globo 1989.
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