14/07/2026
Sobre o aumento do percentual de etanol na gasolina para 32%:
Toda iniciativa que vise mitigar os efeitos da atual crise energética é, a princípio, bem-vinda.
Entretanto, é importante ressaltar que, conforme informações divulgadas por entidades como a ANFAVEA, a alteração proposta não foi suficientemente testada. Desse modo, ela pode acarretar problemas mecânicos em motores que não possuem tecnologia flex, principalmente em veículos mais antigos e importados, além de motocicletas.
Conforme avaliam especialistas e agentes do mercado, a economia para o consumidor tende a ser mínima ou até inexistente. Isso ocorre porque o etanol possui menor poder calorífico que a gasolina. Com 32% de etanol anidro na mistura, o combustível rende menos, fazendo o veículo percorrer uma distância menor por litro e aumentando o custo para o motorista, que precisará abastecer com maior frequência.
Outro ponto de atenção é que a cotação do etanol varia significativamente nas usinas, sobretudo em função da safra e da entressafra da cana-de-açúcar. No momento, em razão da safra recorde, o preço está em baixa. No entanto, historicamente, os valores costumam subir em outros períodos do ano. Também deve ser considerada a dinâmica da oferta e da procura: com o aumento da demanda pelo etanol, a tendência é de elevação dos preços nas usinas.
Por fim, a alegação de economia com a redução das importações de gasolina é controversa. O CNPE afirma que a medida permitirá deixar de importar cerca de 500 milhões de litros de gasolina por mês, o equivalente a 6 bilhões de litros por ano. Já a UNICA estima que a demanda por etanol anidro crescerá em aproximadamente 1 bilhão de litros por ano. Na prática, esse volume corresponde a cerca de 83 milhões de litros por mês — uma diferença significativa em relação ao número apresentado pelo governo, sem considerar o aumento do consumo de gasolina C decorrente do menor rendimento energético da mistura.