28/07/2026
A 3.ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, condenou o oftalmologista Paulo Barição a 40 anos de prisão, em regime fechado, sob acusação de causar a perda da visão de 21 pacientes durante um mutirão de cirurgias de catarata. De acordo com a acusação, a esterilização inadequada dos instrumentos cirúrgicos provocou uma infecção generalizada nas vítimas. Cabe recurso.
No processo, o médico negou ter agido com negligência e afirmou que integrava a equipe responsável pelo mutirão havia cerca de um ano e que, até então, já havia realizado mais de mil cirurgias de catarata sem intercorrências. Disse que entregou os instrumentos para esterilização no hospital municipal um dia antes do procedimento e que, na manhã das cirurgias, ajudou na montagem do centro cirúrgico.
Ao Estadão, o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado do oftalmologista, afirmou que a condenação “é um grande equívoco” e informou que recorrerá da decisão.
“Mais de uma vítima, em audiência e depois de dez anos, confirmou que até os dias atuais se esconde em casa, não tem coragem de expor seu rosto sem o globo ocular, extraído em decorrência do crime que sofrera, tendo o réu Paulo como autor”, escreveu o juiz André Luiz Rodrigo do Prado Norcia. “Como explicar para uma vítima que teve seu globo ocular extraído, ocasionando-lhe a cegueira, além de todo sofrimento, que o crime praticado no seu caso não acarretará qualquer punição para o autor do crime?”
Segundo o Ministério Público, Paulo Barição realizou as cirurgias em 30 de janeiro de 2016 com instrumentos esterilizados de forma inadequada. A perícia concluiu que as 21 vítimas foram contaminadas pela mesma bactéria, a Pseudomonas aeruginosa. Como consequência, 13 pacientes perderam parte da visão e outros oito ficaram totalmente cegos. Apenas duas das vítimas não eram idosas.
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(Créditos/Reprodução: Estadão)