12/04/2025
Nem todo abandono é físico. Às vezes é disfarçado de “visita perdida”, de “não posso hoje”, de “tô sem dinheiro”.
Vivemos numa sociedade que naturaliza a figura do pai ausente. Que acha “normal” o homem pagar 30% (quando paga) de uma pensão e acreditar que isso basta. Que não sabe o valor de uma lata de leite, de uma fralda, de uma consulta, de uma terapia. E mesmo assim se acha no direito de opinar, de cobrar e de se vitimizar.
Ele nunca foi ao pediatra, mas quer discutir os gastos com a saúde do filho — sempre pensando no quanto gastou, mas nunca no que é melhor para a criança. Não participa da rotina, não conhece as necessidades reais do filho, mas vive com o discurso de que “tá fazendo a parte dele”.
Acha que os 400 reais que paga são "pra mãe gastar com ela" — como se ela não acordasse de madrugada, não abrisse mão da carreira, da vida social, da própria saúde mental. Como se ela não fosse pai e mãe, todos os dias. Como se o valor fosse suficiente para arcar com os gastos de uma criança.
Segundo o IBGE, mais de 11 milhões de lares no Brasil são chefiados por mães solo. E por trás desse número estão histórias de sobrecarga, solidão e luta invisível. Porque ser mãe solo não é uma escolha. É, na maioria das vezes, consequência direta da irresponsabilidade masculina.
E enquanto ele posta foto mostrando que é um "paizão" na internet, ela vive no silêncio da rotina, fazendo o impossível com o pouco que tem — por um filho que merece tudo.
Chega de romantizar abandono. Chega de achar que pensão é favor. Pai presente não é o que paga pouco e aparece na foto. É o que participa, sustenta, acolhe e não foge.