16/10/2026
Segundo levantamento da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), 87,4% dos advogados brasileiros já usam inteligência artificial (IA) no trabalho e 84,3% relatam ganhos de produtividade. Apesar disso, 85,3% defendem a necessidade de capacitação específica e 90,3% consideram soluções desenvolvidas para o Direito brasileiro mais seguras e eficientes do que plataformas de uso geral.
Para a advogada Helena Pinheiro, sócia do Eduardo Ferrão Advogados Associados, os dados mostram que o desafio da advocacia já não é apenas incorporar a tecnologia à rotina, mas saber utilizá-la de forma adequada. “A IA oferece ganhos importantes de produtividade, especialmente na pesquisa jurídica e na análise de informações. No entanto, para aproveitar esses benefícios, é fundamental que os profissionais estejam preparados para utilizar essas ferramentas de forma crítica e responsável”, comenta.
Helena ressalta que a maior preocupação é com o uso de informações produzidas pela IA sem a devida checagem. “Essas ferramentas podem apresentar dados incorretos, citar precedentes inexistentes ou interpretar equivocadamente decisões judiciais. Quando esses erros chegam às peças processuais, podem comprometer a atuação do advogado e até a prestação jurisdicional”, explica.
“A IA é uma importante ferramenta de apoio, mas não substitui o conhecimento jurídico nem a análise crítica do profissional. A responsabilidade pelo que se apresenta ao Judiciário continua sendo do advogado”, conclui.