28/07/2026
Carta aberta à minha alma.
Continue sendo luz, mas nunca esqueça que você também é fogo. Há chamas que aquecem, há chamas que protegem e há aquelas que simplesmente se recusam à extinção. Não apague a sua essência para caber na expectativa de ninguém. Caminhe em paz, mas nunca à custa de si mesma.
Espiritualizada, ainda que agnóstica. Capaz de encontrar o sagrado na beleza das coisas simples e a lucidez na dúvida. Habitante das perguntas mais do que das certezas. Que a delicadeza jamais lhe custe a firmeza e que a empatia nunca lhe exija o abandono de si.
Há poesia na sua alma. Não a poesia ingênua que apenas enfeita a vida, mas aquela que atravessa as tempestades sem perder a ternura.
Nunca perca a coragem de aceitar o papel de vilã na história de quem esperava que você renunciasse à própria essência para corresponder às expectativas alheias. Toda mulher que escolhe a própria verdade será, inevitavelmente, incompreendida por alguém.
A sua paz não exige que você abdique da sua força. Apenas que a exerça com sabedoria.
E, por fim, querida alma…
Talvez você nem exista. Talvez seja apenas o nome que demos à consciência. Talvez seja somente a parte mais honesta de mim. Pouco importa.
Deixo-lhe o mais importante dos lembretes: ninguém merece tanto a sua melhor versão quanto você mesma.
Com ternura,
Aquela que habita a matéria deste corpo.