11/02/2024
Relatos de uma noite exercendo a nobre função da Advocacia!
Certa vez, ao decorrer da madrugada, a advocacia criminal me convocou e eu fui ao encontro da defesa do meu cliente que acabava de se envolver em um acidente ocasionado por bebida alcoólica. Realizei o atendimento com meu cliente, entretanto uma cena me chamou muita atenção.
Ao chegar no Corró (lugar onde a pessoa f**a provisoriamente detida) me deparei com um senhor que ostentava seus cinquenta e poucos anos, já franzino, com suas vestes rasgadas, sem qualquer calçado para proteger daquela noite que perfazia seus 10 graus, esquentando o pulmão com um trago em seu cigarro.
Este senhor me olhava como se estivesse de frente para sua liberdade, aquela cena me tocou. Foi quando decidir perguntar por qual motivo aquele senhor estava ali.
O mesmo me relatou que estava vagando pela noite pedindo dinheiro para comprar alimentos para seus dois filhos e que foi “confundido” com assaltantes que acabavam de cometer um delito naquela localidade.
Diante daquela situação, me vi na obrigação de corrigir aquela injustiça. Fui à sala do escrivão, solicitei uma conversa ao delegado e pedi para que a vítima reconhecesse o suposto assaltante.
A vítima reparou meu cliente e disse, em alto e bom-tom: “Não foi ele, esse senhor jamais roubaria meus pertences”
O senhor então foi liberado da Delegacia após 4 horas, jogado no chão gelado de uma cela. O olhar marejado não escondia a gratidão que transbordava em seu coração.
Este senhor queria inclusive me dar seu humilde celular como forma de pagamento por este ato. Porém, não existe dinheiro no mundo que pague a felicidade de promover a liberdade de alguém que realmente necessita.
Este dia, eu senti na pele que a liberdade é premissa de todo advogado criminalista!