24/08/2026
Por que advogados reais não suportam séries como Suits!
Não é que a gente odeie, a gente assiste dando risada de nervoso. Suits é ótimo como entretenimento, mas cria uma ideia de advocacia que não existe nem em Nova York, nem aqui em BH.
O primeiro choque é o Mike Ross. Nos EUA e aqui no Brasil, com a OAB, a verificação de credencial é rigorosa. Você não consegue protocolar uma petição sem número de inscrição, passar na portaria do fórum já é difícil. Na vida real, exercer sem licença não rende promoção a sócio, rende processo criminal e prisão.
Depois vem a ilusão do julgamento todo dia. Na TV todo caso termina com aquele júri chocado e um discurso que muda tudo. Na prática, mais de 90% dos casos nunca chegam nessa cena. É acordo, negociação, mediação, e muito e-mail e leitura de contrato no escritório. Se você vivesse só de tribunal, ia ficar sem cliente.
E por falar em tribunal, aquele show de objeção a cada 10 segundos e monólogo andando de um lado para o outro é tiro no pé. Juiz detesta teatro. No mundo real o processo é travado pelas regras de descoberta de provas. Aquela prova surpresa de última hora que salva o caso? Seria desconsiderada na hora. E ameaçar testemunha, gritar com o colega, como rola em Daredevil, dá advertência e até sanção.
O que a série até acerta é a política de escritório grande, a importância de relacionamento e confiança, e que networking vale tanto quanto tese jurídica. Só que no dia a dia, glamour mesmo é o sistema PJe não travar.