02/12/2025
DIA DO ADVOGADO CRIMINALISTA!
Hoje o resumo não é de horários — é de vida.
Dormir às 04h, acordar às 09h atrasada, tomar o café que a Samirinha preparou enquanto abro o computador ainda com o coração no colo… tudo isso é apenas o pano de fundo de quem desperta todos os dias para tentar salvar alguém que o mundo insiste em abandonar.
Enquanto preparo o júri de quinta, tento também abrir frestas de humanidade para um cliente que surta no cárcere.
E é nesse entrelaçar de urgências que a advocacia criminal acontece:
no caos, na coragem e naquilo que ninguém vê.
A advocacia criminal não é glamourosa.
Não é um trabalho comum.
É um sacerdócio — e, se eu contasse o que esse sacerdócio cobrou de mim em 2025, muitos não acreditariam.
Achei que estava infartando.
Era a alma pedindo socorro.
Ansiedade generalizada, dois burnouts e algumas cicatrizes que carrego em silêncio para não preocupar quem me ama.
E, ainda assim, sigo.
Sigo porque, apesar de tudo, essa profissão me deu pessoas raras, histórias que me atravessam, aprendizados que me reinventam e experiências que não cabem em palavras.
Mas não romantizo: é uma profissão marginalizada, criminalizada, desgastante
e, sobretudo, perigosa.
Meu sonho parece simples, mas não é:
Fazer um júri sem trocar de bolsa para evitar que o promotor aponte para ela e tente me transformar na criminosa da história.
Caminhar pelas ruas de MG sem medo de virar estatística por denunciar tortura.
Poder adoecer sem ter meu caráter colocado em dúvida por causa de um vídeo de biquíni fio dental na minha própria casa.
E nunca, nunca ser confundida com o meu cliente — como se o defensor carregasse em si o crime que combate.
No mundo ideal, a advocacia seria tratada como realmente é:
a última trincheira entre o cidadão e o abismo.
Que a gente caminhe, mesmo com os pés cansados, em direção a esse ideal.
Para que um dia essa sensação de “enxugar gelo” dê lugar ao mergulho sereno de quem sabe que, apesar de tudo, ainda vale a pena acreditar na justiça.