19/02/2026
Façamos o verdadeiro jejum.
Não apenas do doce, mas da fofoca disfarçada de preocupação.
Não apenas da carne, mas da crítica travestida de conselho.
Não apenas do supérfluo, mas da hipocrisia que se esconde atrás de discursos religiosos.
Quaresma não é vitrine de espiritualidade.
É processo interno de revisão de conduta.
Não adianta frequentar igreja, ocupar bancos, levantar as mãos e entoar louvores, se fora dali espalhamos julgamento, dureza, competição e maldade sutil.
Não adianta pregar amor no altar e praticar indiferença na vida real.
O jejum que transforma é o do ego.
É o da língua afiada.
É da necessidade de estar sempre certo.
É da postura que diminui o outro para se sentir maior.
Quaresma é sobre coerência.
É sobre alinhar discurso e atitude.
É sobre limpar o coração antes de apontar o dedo.
É sobre ser luz onde antes fomos sombra.
De que adianta jejuar o açúcar se as palavras continuam amargas?
De que adianta falar de Deus se não refletimos cuidado, respeito e compaixão?
A verdadeira conversão começa de dentro para fora.
Porque fé sem prática é ruído.
E espiritualidade sem humildade é apenas aparência.
Que sejamos praticantes do bem — longe dos holofotes, mas perto da verdade.