25/11/2025
Meu relato sobre a experiência em speyside, Scotland (novembro/2025).
Speyside — vale onde a névoa repousa sobre as colinas e o tempo, paciente como um bom pastor, transforma cevada, água e silêncio em single malts de reputação universal.
No percurso pela rota mais prestigiosa do whisky escocês, visitamos casas cuja tradição já é, por si, um patrimônio: Glenlivet, Macallan, Balvenie, Aberlour, Craigellachie, Cardhu, Glen Grant e Benromach.
E tivemos ainda a honra de conhecer a Ballindalloch Distillery, integrada ao secular Ballindalloch Castle Estate, pertencente à tradicional família Macpherson-Grant. Fomos recebidos por seus proprietários, verdadeiros guardiões da destilação artesanal que honra a herança das Highlands.
Entretanto, o momento mais emblemático da jornada deu-se em Glenfiddich, ícone absoluto de Dufftown. A destilaria permanece, desde 1887, nas mãos da histórica família Grant, hoje representada pela linhagem Grant-Gordon, herdeira direta de William Grant. Ali, participei do envasamento de um rótulo exclusivo, uma experiência realmente a once-in-a-lifetime moment, digna de algo second to none. Entre vapores de malte e barris de carvalho europeu, senti-me tocado pela quintessência do espírito escocês.
Pelos caminhos que serpenteiam Speyside, rebanhos de ovelhas surgem como pequenas constelações brancas sobre o tapete verde, permeado pela neve que começa a se formar. A Escócia é terra de single malts e de pastagens pastoris infindas — dois símbolos que, para nós cristãos presbiterianos, possuem profunda ressonância espiritual:
As ovelhas, recordando o terno cuidado do Pastor Eterno:
— “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” (Salmo 23:1)
— “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (João 10:11)
E o whisky — celebrado com sobriedade e gratidão — recorda que a criação é dom divino:
— “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto.” (Tiago 1:17)
Uma travessia em que tradição, fé e paisagem se entrelaçam num único blend de beleza e esperança reformada. Sem perder, é claro, a singularidade do bom e tradicional single malt. Belo presente de 49 anos, dádivas do Senhor Jesus, por certo.