04/08/2026
Tema: O Paradoxo da Pobreza no Mundo Atual
A urgência deste tema não é um exclusivo de Angola; é uma crise global. Apesar dos avanços tecnológicos e do contínuo crescimento macroeconómico global, a desigualdade entre ricos e pobres não só persiste como, em muitos casos, se agrava. Atualmente, mais de 5.000 milhões de pessoas em todo o mundo vivem destituídas das condições mínimas para uma vida digna.
Como bem alertou a UNESCO, acabar com a pobreza não é uma mera questão de filantropia; é um imperativo urgente de Direitos Humanos. Durante décadas, as abordagens focaram-se quase em exclusivo na "Perspetiva de Subsistência" (centrada apenas no rendimento para alimento e abrigo), ignorando as necessidades sociais e psicológicas dos indivíduos. A pobreza acarreta consigo a fome, o analfabetismo, a discriminação de género e as migrações forçadas.
A gravidade da situação exige cooperação, baseada na premissa de que “o bem-estar de todos depende de um sistema de cooperação (...) o que leva a interpretar o justo como equidade”. A realidade internacional apresenta contrastes chocantes: enquanto o consumo per capita nalguns países ocidentais ultrapassa as quatro dezenas de dólares por dia, na África Subsaariana que alberga a maioria dos países mais pobres do mundo a sobrevivência trava-se com valores dramáticos.
O falhanço reiterado no cumprimento de metas globais, como os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), demonstra que a globalização sem regras de justiça social "está a agravar a armadilha da pobreza internacional". Em África, as guerras civis, a fragilidade das instituições e as crises sanitárias impuseram duros retrocessos no desenvolvimento social e na esperança de vida.
Perante este cenário global e nacional, a atuação de Organizações Não Governamentais (ONG) tem sido louvável no alívio de emergências sociais. No entanto, o paradigma do assistencialismo externo esgotou-se. Nenhum país atinge o pleno desenvolvimento através de doações a fundo perdido.
A superação deste flagelo exige soluções endógenas e perenes. O combate à pobreza tem de estar alicerçado na força coerciva e transformadora do Direito, tornando-se o pilar central de qualquer estratégia sustentável de governação e desenvolvimento nacional.