22/09/2026
MENSAGEM DE RECONHECIMENTO INSTITUCIONAL
Por ocasião das comemorações dos 30 anos da Ordem dos Advogados de Angola-Oficial, quero expressar o meu profundo reconhecimento e apreço à Ordem, aos seus órgãos, aos seus dirigentes, aos antigos e actuais membros e a todos quantos, ao longo destas três décadas, contribuíram para a afirmação e dignificação da advocacia em Angola.
Celebrar os 30 anos da OAA é celebrar uma história de compromisso com a Justiça, com o Estado Democrático e de Direito e, sobretudo, com a defesa dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos.
Para mim, esta celebração tem também um significado muito pessoal e profissional. Dos 30 anos de existência da nossa Ordem, tenho 10 anos de exercício efectivo da advocacia, precedidos por 18 meses de estágio profissional no Escritório Filomena Fortes. São, portanto, anos de uma trajectória construída no seio da advocacia, entre aprendizagem, formação, prática, responsabilidade profissional e crescimento.
Foram anos que me permitiram compreender que ser advogada é muito mais do que exercer uma profissão. É assumir diariamente uma responsabilidade perante o cidadão, perante a Justiça e perante a própria sociedade. É estudar, ouvir, aconselhar, defender, argumentar e, muitas vezes, permanecer firme na defesa dos direitos de quem deposita em nós a sua confiança.
A experiência adquirida ao longo destes anos ensinou-me também que a advocacia se constrói com conhecimento, mas igualmente com carácter, ética, dedicação, coragem e respeito pela profissão.
E é precisamente por isso que esta comemoração dos 30 anos da OAA ganha, para mim, um significado especial. Estamos a celebrar num ambiente de harmonia, confraternização e verdadeira beleza da advocacia, aquela beleza que vai muito além da defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos.
A advocacia possui também uma dimensão de formação e transmissão de conhecimento que considero extraordinária. Ela começa no estágio, através da relação entre estagiário e patrono, onde o conhecimento teórico encontra a experiência prática e onde o jovem advogado aprende não apenas a exercer a profissão, mas também a compreender a sua responsabilidade.
Existe aqui um simbolismo muito bonito: um dia somos estagiários, recebemos orientação e aprendemos com aqueles que nos antecederam; amanhã tornamo-nos patronos e passamos a formar aqueles que chegam depois de nós.
É como o próprio ciclo da vida: hoje és filho, amanhã serás pai ou mãe. Na advocacia, hoje és estagiário, amanhã serás patrono. Hoje recebes conhecimento, experiência e orientação; amanhã tens a responsabilidade de transmitir esses valores a uma nova geração.
Depois de 10 anos de exercício profissional, precedidos pelos meus 18 meses de estágio, reconheço ainda mais profundamente o valor dessa continuidade. Aquilo que recebemos dos nossos patronos não termina em nós. Pelo contrário, deve continuar através daqueles que ajudamos a formar.
É este ciclo de aprendizagem, crescimento e transmissão que mantém viva a profissão e fortalece a própria instituição.
Por isso, estes 30 anos não são apenas uma celebração do passado. São também uma oportunidade para olharmos para o futuro da advocacia angolana com sentido de responsabilidade, sabendo que cada geração recebe um legado e tem o dever de o aperfeiçoar e transmitir.
Parabéns à Ordem dos Advogados de Angola pelos seus 30 anos de história, de dedicação à Justiça e de construção da advocacia angolana.
Que continuemos a dignificar a profissão, a honrar a nossa Ordem e a defender, com conhecimento, ética, independência e coragem, aqueles que recorrem à advocacia em busca da Justiça.
E que cada advogado possa compreender que, na nossa profissão, há sempre um momento em que deixamos de ser apenas aprendizes para nos tornarmos referências e, sobretudo, responsáveis por ensinar e formar quem virá depois de nós.
Com elevada consideração e reconhecimento institucional,
Orlanda Paulo
Advogada & Árbitra