15/07/2026
🎭 Reflexão do Provedor - 6 # - "Profissionalização das IPSS" 🎭
É comum ouvir-se: "as IPSS têm de se profissionalizar, precisam de gestões profissionais."
Sejamos sinceros:
Quando se fala em "profissionalização" nas IPSS, normalmente não o fazemos a olhar para um futuro positivo, para a tal de futura gestão profissional.
Fazemo-lo de forma negativa, criticando o presente, com uma crítica escondida às direções voluntárias.
De há uns anos para cá, fruto da escassez, acreditamos (casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão), criou-se esta lógica segundo a qual, identif**ada uma dor, temos de criticar alguém ou alguma coisa mesmo que isso não resolva nenhuma das causas dessa dor.
Como é que diabolizar as Instituições que escolhem o voluntariado, permite:
1) Aumentar o limite legal de remuneração, das que escolhem o caminho do pagamento (na verdade: eliminar)?
2) Acabar com a proibição de remuneração em Instituições que estão em situação difícil (quando são exatamente essas que precisariam de uma intervenção de gestão reforçada - para isso paga)?
3) Dotar as IPSS de mais meios financeiros para conseguir absorver a ineficiência das exigências excessivas do Estado (ou acabar com estas) - mais comparticipação financeira?
4) Acabar com o conflito artificial entre Diretores e Dirigentes, alimentado por intervenções sem fundamento material do Estado, que impedem uma boa gestão?
5) Acabar com obstáculos a quem está no público e quer passar a exercer funções de dirigente no setor, trazendo consigo essa experiência (e ganhando uma nova)?
O caminho da perda da autonomia para conquistar alguma coisa já acabou.
Não se venda a autonomia de ser voluntário, para se obter o que quer que seja.
Não é preciso.
Se há Instituições que consideram que o caminho é pelo voluntariado, perfeito, têm autonomia. E serão absolutamente profissionais, como testemunhamos diariamente.
Se há outras que entendem que é pela remuneração, mas não conseguem atingir o grau de capacidade financeira que pretendem, não culpem as primeiras, não as impeçam de ser como querem, identifiquem o problema de forma clara: nós apresentámos 5 em cima, nenhum se resolve acabando com a opção de voluntariado.
A liberdade é isto mesmo: definirmos o funcionamento da nossa organização, o papel de cada um e os incentivos certos para o desempenhar. Isto dependerá de várias coisas, mas encontra expressão numa palavra bem mais bonita do que "profissionalização": identidade.
Haja autonomia para criar, desenvolver, preservar, proteger e, quando fizer sentido, rever, a nossa identidade.
E, de uma vez por todas, acabe-se com a culpa de quem é diferente como se isso se resolvesse problemas entre aqueles que consideramos nossos iguais.
O Provedor