15/09/2026
A Oliveira do Mouchão, em Mouriscas, Santarém, tem 2.850 anos confirmados por datação de carbono-14 — e ainda produz entre 200 e 500 quilogramas de azeitonas por ano. É a árvore produtiva mais antiga de Portugal e uma das mais antigas da Europa.
Quando esta oliveira foi plantada — provavelmente por fenícios ou por comunidades locais que adquiriram a técnica dos fenícios — a cidade de Roma ainda não existia como estado organizado. Portugal como conceito não existia. O Império Persa estava no auge. E alguém plantou uma oliveira num vale do Ribatejo que ia durar quase três milénios.
A longevidade extrema do oliveiro tem base biológica documentada: a árvore regenera continuamente a partir da base, produzindo novos rebentos do colo quando as partes superiores morrem ou são cortadas. O tronco oco que se vê em oliveiras antigas não é decadência — é o centro morto de um tronco que foi progressivamente engolido pelos tecidos vivos da periferia. A vida do oliveiro está no câmbio e na casca, não no centro.
Esta semana, em todos os olivais de Portugal, as azeitonas estão na fase final de engrossamento — as células da polpa acumulam azeite que vai ser colhido entre Outubro e Janeiro. O calendário de colheita determina o perfil do azeite: as azeitonas colhidas em Outubro, ainda verdes, produzem azeite mais frutado, mais amargo e mais picante, com maior concentração de polifenóis antioxidantes. As colhidas em Janeiro, maduras e escurecidas, produzem azeite mais suave e com menos antioxidantes.
2.850 anos. Ainda a produzir. Esta semana.