24/07/2026
A coragem de trabalhar no mundo da justiça
É sob este título que vamos desenvolver uma breve apreciação do que consideramos ter sido, e ser hoje, o mundo da justiça.
Iniciamos a viagem pelas atividades afins da justiça; referimo-nos às Conservatórias do Registo e às Finanças, e sem mais podemos concluir que o serviço que prestam atualmente não melhorou, e até consideramos que perdeu qualidade em relação ao serviço prestado nos anos idos.
Entramos no interior dos tribunais.
O nosso primeiro contacto, e por vezes único, é com os senhores funcionários.
Outrora com a sua posição de classe de referência do funcionalismo público, senhor oficial de justiça, senhor escrivão e senhor chefe de secretaria, com vestimenta a condizer, a pose também ajudava, o papel, a esferográfica e a máquina de escrever.
Funcionavam os serviços.
Hoje com mais funcionários, trajados como lhes apetece, com computadores e plataforma digital, os serviços fluem melhor?
Não tão bem.
Passamos a falar da nossa classe, da profissão advogados.
Continuamos com as mesmas premissas, do passado e do presente.
Houve tempos em que os advogados eram vistos como sendo uma profissão de prestígio.
Aliás, por muitos referida que não era apenas uma profissão, mas um sacerdócio a que poucos acediam e exercida com ética inabalável e vocação.
Era uma profissão onde se tinha a certeza e o começo dos sonhos;
Escolhida por poucos, apenas por alguns, que para ela tinham nascido e para a exercer nos limites.
Regressados aos tempos atuais referimos que há anos ocorre a banalização, massificação, aproveitamento e destruição do prestígio da classe; nos dias que correm um advogado é comum, exerce uma profissão em descrédito, servida por muitos que não a servem, que a corroem e quase a destroem.
Mas não podemos deixar de referir que há excelentes profissionais da advocacia, que continuam todos os dias a trabalhar e a lutar para que a classe esteja no patamar que sempre lhe foi, e lhe é destinado, de ser de prestígio, seriedade e confiança.
A esses o nosso agradecimento e incentivo para que sempre assim procedam para o benefício da justiça.
Continuamos a nossa análise aludindo à classe dos magistrados e usando o mesmo sistema de apreciação.
Tempos houve em que os magistrados eram excelentes, os desembargadores elite e os conselheiros predestinados.
Dos tempos que havia respeito, muito, cortesia, simpatia, protocolo, rigor no traje e as decisões verdadeiras lições de sapiência.
Entretanto, há tempos atrás, com as alterações que ocorreram na sociedade e na sistema judicial, já não é bem assim ; e nem as plataformas digitais , o poder e as regalias, conseguem disfarçar as dificuldades da magistratura ;ocorre morosidade, decisões e outras situações transmitidas pela comunicação social evitáveis.
Mas há que realçar e agradecer o esforço de muitos magistrados que têm trabalhado nos limites, de forma excelente e a dignificar a justiça, muitas vezes a última tábua de salvação do cidadão que a ela recorre.
Entendemos que hoje um Advogado, para trabalhar no mundo da justiça precisa de ter coragem mais do que nunca;
Para nos tribunais defender os seus clientes com saber, ética e sem se vergar a quem decide;
Para dizer não quando esta é a palavra que o cliente tem de ouvir;
Para ter a esperança que a causa não está perdida e a fé que irá ganhar, com a justiça a ser feita pela verdade;
Para mostrar que tem a capacidade, a coragem e a vocação de ser um verdadeiro Advogado, daqueles que deixam marca e que da lei da morte se libertam.
Esses, só esses, são os verdadeiros advogados e a quem se deve aplaudir pela coragem de nestes dias quererem trabalhar no mundo da justiça.
E esses são os que a classe precisa e felizmente existem e também somos nós, CC Clementino Cunha Advogados.
Fafe Julho de 2026
Clementino Cunha Advogados