20/02/2023
DE-SA-CE-LE-RAR
A minha viagem para Portugal no início do mês de fevereiro me trouxe uma profunda reflexão sobre como estou levando a minha vida aqui na Inglaterra.
Isso desencadeou em mim diversos sentimentos que estavam adormecidos pela falta de tempo de olhar para dentro.
Trabalho, vinda da Yasmin, gravidez, mudança da minha mãe, bariátrica, carteira de motorista, mestrado, ufa… perco o ar só de pensar.
E eu não me dei tempo para curtir a gravidez pois trabalhei até 1 dia antes de dar a luz, não curti o meu pós parto pois com 20 dias já estava atendendo, não consegui comemorar quando passei no teste de direção pois a agenda estava cheia, nem a dor da bariátrica eu pude viver, afinal, não tenho tempo para sofrer, tem coisas muito mais urgentes me atropelando diariamente. Sem mimimi eu repito para mim mesma.
Não interessa se foi uma cirurgia na mama, uma cesariana ou um bariátrica! O que importa é CONTINUAR.
Até que não dá mais para enfiar todas as dores debaixo do tapete, atrás da cortina, debaixo da cama e a dor transborda. Não! Eu não sou uma super-heroína e você também não é!
Que pressa é essa que temos de fazer tudo dar certo PARA ONTEM? De provar para o mundo e para nós mesmos que somos fortes e que sempre podemos ir além?
Na loucura de tentar ser mil, não consigo ser nenhuma 100%. Falta ar, falta tempo, falta presença, falta VIVER. E os dias começam cedo, acabam tarde e mesmo assim, não se vê o tempo passar. Se vê apenas a semana, o mês, o ano acabar, juntamente com a saúde física e psicológica, nessa busca incessante de sabe-se lá o que que nunca traz o contentamento.
Eu não gosto e eu nunca gostei do clima e da correria da Inglaterra, e vira e mexe eu sinto falta de apenas ter tempo de ir ali na esquina tomar um sorvete nos dias de sol (que nunca chegam).
Não é romântico se sobrecarregar! É cansativo, é viciante e é um desequilíbrio. E definitivamente não é a vida que eu quero ter. Por isso está na hora de parar um pouquinho , de olhar para dentro e entender o que de fato faz sentido, pois viver no automático é morrer aos poucos.