21/03/2025
Em 2020, representamos um cliente que tinha direito ao auxílio emergencial, foi um dos primeiros clientes que tivemos, que confiou em nosso trabalho.
Nós batalhamos longamente através do sistema judiciário, na esperança de que a justiça fosse feita a tempo e após anos de espera, conseguimos receber uma parte do valor e o restante do valor, em 2025 finalmente, recebemos a notícia de que o Requisição de Pequeno Valor (RPV) seria expedido, um sinal de que, enfim, a justiça chegaria, depois de anos.
No entanto, a boa nova rapidamente se transformou em uma tragédia: a Receita Federal acusou o falecimento do meu cliente.
Uma notícia horrível que não esperávamos.
Costumávamos manter contato direitamente com ele, sua família não estava ciente do processo que movemos em busca do auxílio e por isso, não soubemos do seu falecimento até a notícia no processo.
É angustiante perceber que uma pessoa aguardou tanto tempo pela assistência que precisava e, em quando finalmente tinhamos a boa notícia, nos deparamos com essa realidade trágica e amarga.
Nem sempre, a vitória vem no tempo certo e neste caso, a luta por justiça não apenas demorou, mas culminou em um desfecho que nenhum de nós poderia imaginar ou aceitar.
E o que deveria ser um motivo de alívio se transforma em mais um obstáculo, pois agora, seus herdeiros terão que enfrentar mais uma jornada para que esse valor chegue até eles.
Isso nos leva a refletir sobre a ineficiência do sistema e sobre quão cruel pode ser a demora em momentos críticos.
Como advogadas, devemos continuar lutando por nossos clientes, não apenas como profissionais, mas como defensores da justiça que todos merecem, servindo com empatia e compreensão.
Até me lembrei do caso do advogado de pernambuco que juntou no processo a foto de um bolo de aniversário para ironizar a demora de 5 anos esperando uma decisão, tentamos tornar a espera o mais leve possível, mas quando tanto tempo se passa, de que serviu tanto trabalho?