01/10/2026
Quando começam a dizer que mulher “vota mal”, o problema não é o voto. É quem acha que deveria decidir por nós.
Em 2026, a defesa da restrição do voto feminino deixou de ser apenas uma memória dos movimentos antissufragistas. Ela voltou ao debate público.
Há quem tenha dito que “as mulheres votam muito mal” porque votam na esquerda.
Há quem tenha declarado: “Sou contra o voto feminino.”
E há até quem defenda que mulher deveria seguir o marido nas decisões políticas, fala que chegou a ser levada à tribuna do Senado em julho deste ano.
Não é “opinião sobre mulheres”.
É uma discussão sobre quem tem o direito de participar da democracia.
O voto feminino não foi concedido como favor. Foi conquistado depois de décadas de disputa política e social. O Código Eleitoral de 1932 reconheceu o direito das mulheres ao voto e à candidatura.
E talvez seja justamente por isso que precisamos prestar atenção quando alguém começa a dizer que mulheres votam “mal”, que são influenciáveis ou que deveriam votar conforme o marido.
Porque direitos políticos não desaparecem necessariamente de uma vez.
Às vezes, começam sendo tratados como exagero.
Depois, como privilégio.
Depois, como um problema a ser “corrigido”.
E nós não vamos tratar como normal aquilo que coloca em discussão a nossa própria cidadania.
Direito de votar.
Direito de decidir.
Direito de participar.
Mulher não precisa de autorização para estar na política.