18/11/2024
O BOÊMIO VOLTOU!
Eu era uma criança, ele já um homem maduro. Eu nem sabia ler, mas já segurava posudo o jornal de cabeça para baixo.
Tentavam, sem sucesso, consertar o papel, alertando-me que aquele não estava na postura correta.
E eu? Rápido me irritava. “Será que esses adultos não entendem que meu jeito de ler era uma forma de ser gente grande?” - pensava.
Ele entendia. Não apenas me entendia como impedia que os outros adultos desvirassem o meu jornal. Era, pois, o guardião da minha leitura.
Agora, como dissemos na sua partida: “o boêmio voltou!” Está cantando sua seresta no Oriente Eterno, alegrando a vó Darcy e contando piada do Ary Toledo.
A propósito vô, meu jornal agora são os livros. Hoje na postura correta (e eu sei que estou lendo corretamente…).
Obrigado por tudo. Fiz o que pude para, por
meio da Justiça e lutando com as armas que tinha, amenizar teu sofrimento no fim da vida. Não sei se consegui, mas tentei.
No fim, é isso e nada mais: tentar. Fazer o seu melhor com o que vc tem, onde vc estiver.
Vlw demais velho Zeca! Errei? Erraste? Erramos? Sinceramente, não importa:
“Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris” (“Lembra homem, que és pó e ao pó voltarás”)
Logo seremos apenas um retrato na parede de alguém. Depois, nem isso.
Se é assim, como pode a eternidade caber em seres mortais? Assim o é pq o que fazemos de bom, permanece no mundo, nas marcas da vida das pessoas e na história da humanidade presente em cada vida humana.
Descobrir isso nos livros é bom, mas ver isso na prática nos olhos de alguém do beiradão de Canutama - AM é, sem dúvidas, muito melhor.
Um beijo, do seu neto, Rodrigo Otávio.
Vá em paz .’.