21/08/2026
32.
A verdade é que eu imaginava que, a essa altura, teria resolvido mais coisas.
Que algumas dúvidas já teriam desaparecido. Que certos caminhos estariam definidos. Que a vida, depois de tanto esforço, finalmente teria encontrado um jeito de caber nos meus planos.
Mas não foi assim.
A vida me pediu coisas que eu não esperava. Me fez recomeçar quando eu só queria descansar. Me colocou diante de versões minhas que eu precisei aprender a acolher, mesmo sem entender direito o que estava acontecendo.
E, no meio disso tudo, eu segui.
Nem sempre com coragem. Às vezes, com medo mesmo. Nem sempre sabendo o próximo passo. Às vezes, simplesmente porque parar não era uma opção.
Sou um homem cheio de sonhos, mas também de contradições. Forte para algumas coisas e profundamente sensível para outras. Ambicioso, inquieto, cansado, intenso. Alguém que tenta acertar, que erra, que muda de ideia e que ainda está aprendendo a não se cobrar tanto por não ter chegado onde imaginava.
Hoje, não quero celebrar uma versão perfeita de mim.
Quero celebrar o homem real. Aquele que já chorou escondido, que já se sentiu perdido, que já duvidou de si — e que, apesar de tudo, continua acreditando que existe uma vida bonita esperando para ser construída.
Não chego aos 32 com tudo resolvido.
Chego vivo. Chego inteiro do jeito que dá. Chego com cicatrizes, vontade, esperança e muita coisa ainda para acontecer.
E, por enquanto, isso me basta.